segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

PREFÁCIO:

 















Fazer apontamentos é próprio de quem aprende. É o trabalho do aprendiz quando escuta o Mestre e aprende alguma competência assimilando instruções para executar algo.

É pois de fulcral importância saber fazer apontamentos.

Estes apontamentos de poesia são isso mesmo. Um exercício de aprendizagem. Um trabalho em bruto que ainda não foi submetido ao esmeril do aperfeiçoamento.

Poemas sem título. Poemas aparentemente desconectados, mas cheios de intenções e sentimentos. Cheios de dúvidas, cheios de incertezas e tecnicamente imperfeitos.

A primeira lição é a da humildade. Só sendo humilde é que o aprendiz abre os seus sentidos (abre o coração) para escutar em pleno o Mestre que o ensina das mais variadas formas e feitios, emitindo sinais em canais de comunicação muitas vezes codificados que veiculam para o ambiente exterior a informação mais preciosa.

Um simples exclamar: - Toma atenção! Ou – Isto é importante! – Escuta…

E quem escuta humildemente aprende.

Ora a mudança de paradigma de um sistema de ensino em que se privilegiava a humildade para um sistema em que se privilegia a dúvida, favorecendo aqueles que julgam saber mais do que o próprio professor, não permite em última análise obter resultados de excelência. Permite isso sim, um progresso mais rápido na evolução do conhecimento científico, pois se uma coisa temos como certa é que hoje aquilo que se toma como verdadeiro amanhã pode ser afinal considerado como uma falácia. Este ritmo alucinante, deixa para trás os que escutam, deixa para trás os humildes, aqueles que reconhecem no professor a autoridade e o saber que pode resultar em algo extremamente valioso que é em última instância o processo natural de aprendizagem. Privilegia-se a interrogação em detrimento da postura humilde.

Mas afinal o que é mais importante?

Ser humilde? Ou ser impulsivamente interrogativo?

As duas posturas são importantes. Talvez não seja a questão o que é mais importante aquilo que importa aqui. Mas tão só uma questão de prioridades…

O problema é que muitas vezes confunde-se falta de respeito ou comportamento turbulento e desestabilizador com espírito crítico e criativo. O caos que impera nas escolas é o reflexo, é o produto de décadas e décadas de desresponsabilização das famílias das suas competências educativas. A escola neste preciso momento está a socializar os nossos jovens. Mas quem faz a socialização, quem conduz este processo são os próprios jovens.

Retirando-se a autoridade ao professor. Retirando-se poder ao professor, desarma-se o Mestre das ferramentas que o poderiam ajudar a formar o caracter dos alunos.

Afinal é tudo uma questão de VALORES e de VIRTUDES. Esta é que é a VERDADEIRA questão. Este é que é o «busílis» da questão. Esta é que é a pergunta que deveremos fazer:

Mas afinal que VALORES e que VIRTUDES é que os Pais estão a transmitir em casa aos filhos?

A competência primeira na educação das crianças passa pelos Pais. Mas pais incompetentes; pais extremamente competitivos; pais agressivos; pais que não têm valores… nunca poderão transmitir a bondade; a compaixão; a generosidade às suas crianças.

Não se trata afinal de ter conhecimento e transmitir esse saber (usando do maior ou menor poder de compra que se têm).

Trata-se afinal de contas de uma questão de caracter, ou da falta dele…!!...

 

Voltamos então ao ponto inicial. Voltamos à questão central desta primeira aula:

 

A primeira lição é a da humildade!!


Sendo humildes abrimos o nosso coração ao amor, abrimos o nosso coração ao saber, abrimos o nosso coração ao próximo. Sendo humildes aprendemos, e aprendendo poderemos aprender outros valores que nem sabíamos que existiam (mas que afinal sempre residiram fechados no nosso coração, fechados dentro de nós). Sendo humildes poderemos desenvolver, poderemos maximizar o nosso potencial.

E então coloca-se agora a tão polémica questão que tem confundido a humanidade desde o princípio dos tempos:

 

- Todas as crianças nascem boas?

- Todos os homens nascem bons?

- O que é o bem e o mal? Onde reside a raiz do mal e a raiz do bem?

- Poderá o bem ser aprendido?

- É o mal aprendido?


Se começares a interrogar-te sobre estas questões, e se tentares encontrar uma resposta… É porque tens coração de FILÓSOFO…




 

Subitamente desceu dos céus

Um Anjo alado filho de Deus

Vestido de branco imaculado…

Filho de um outro espírito enviado

Filho da terra e dos céus…

E o Anjo veio e disse:

- Este é o fim dos tempos…

- O fim da iniquidade…

Para que se conheça um mundo novo…

Mundo de GRAÇA e Prosperidade…

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A terra vermelha de sangue

Terra de fogo Algarvia

Terra que tudo faz nascer

E que pela Serra subia…

Terra manhã que se faz tarde.

E da mesma esperança comum…

Ao mesmo Sol do meio-dia

Onde o trigo de oiro arde…

Essa bênção dura de Deus

Que na terra é futuro…

Alimentando filhos teus, filhos meus…

Fornecendo o pão árduo,

Impregnado de suor…

O pão duro…

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Peguei na pedra e trabalhei-a

Com a mesma vontade sábia

De esculpir uma virtude

Ou simples vontade de trabalhar a pedra

E ser arte confirmada…

E sempre que o cinzel trabalha…

Fazendo da pedra mortalha

Levanta-se a moral que se agiganta

Do mesmo céu

A mesma esperança…

8/11/2015

Alte – Olho de Boi

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Caminhando seguramente

Pela estrada indigente

Onde me perco…

Onde descanso…

Onde hoje sou criança.

Caminho convicto de ser hoje

E mais uma vez

O longe e a distância…

Caminho seguramente

Feito rapaz, feito gente…

Senhor de uma outra segurança.

Para ser homem, para ser gente…

Ganhando a cada ano que passa

Maior e mais confiança…

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Cheguei hoje a bom porto

Num barco cheio de vida

Soterrado em comida

No meu esconderijo clandestino…

Cheguei mais uma vez menino

Para começar uma nova vida

E pelo mar alto…

Pelo alto caminho

Trouxe a minha esperança contida

De chegar a bom destino

Para começar uma nova vida

E ser de novo criança…

Cheio de vontade se ser homem

Mas já sem memórias do passado

Nem do futuro passadas lembranças…

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A árvore da vida frutos deu…

Frutos de uma outra despedida

Da árvore da vida Eva comeu

O mesmo fruto que no seu ventre viveria

Sendo arvore, a árvore amanhecia…

Despertando para uma outra vida

Da outra árvore deu a comer…

A seu esposo que os olhos abria…

Dando resposta às mesmas perguntas

Com que o homem se debatia

Desconhecendo a natureza…

De tanto esclarecimento…

Vidência?

Vida?

Ou conhecimento…?...

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Magnífico a azul do céu…

O mar profundo já Oceano

Magnífico o passar do ano

Que tudo esquece

Numa nova promessa que hoje se pede

Que hoje se professa…

Pedindo a Deus saúde

Para os meus

[E para os que não se esquecem]

Amor e sorte

E compaixão…

Pedindo ao próprio amor,

Mais amor junto dos nossos…

Pois é essa a nossa condição…

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Uma folha outonal cai balançando no ar…

Principia o seu natal

E num entardecer pascal

Transformada numa massa morta e putrefacta…

Uma folha que desliza e desce do céu

Na sua graça onde ficou a meio caminho.

Uma flor que se tornou destino.

Que deu o ar da sua graça.

Uma flor brinquedo de menino…

Que brinca na relva descalço

E vê que afinal está sozinho

Num mundo vil

Que não tem graça…

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Com um brilho nos meus e nos teus olhos,

Cheio de lágrimas e sorrisos…

Com um brilho nos meus e nos teus olhos,

Do meu inferno e paraíso…

Com um brilho nos meus e nos teus olhos,

Onde perco o meu juízo…

Para ser de novo lágrima…

Ou sede de paraíso…

Com um brilho meu nos teus olhos

Onde me perco e descanso

Onde almejo o paraíso,

Mas o meu inferno alcanço…

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Magnífico o pôr-do-sol que adormece…

No embalo dos montes, numa prece…

Num prometer de descanso e tranquilidade…

Magnífico esse fim de tarde

Que uma e outra vez acontece…

Para adormecer ao de leve

Perto [junto] da tua saudade…

E assim o Sol se deita, mas não dorme…

Pois pela lua espreita

[e observa com saudade]

Cheio de prazer e vontade…

Para ser de novo amanhã

Da manhã que hoje espreita

Vislumbrando a tua

E a minha eternidade…

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Glória de ti amor na manhã fria…

Na manhã que desponta

Para ser tarde cálida, dormente…

Azul do céu, estridente…

E noite morta que descansa…

Juntas nos mesmos abraços

Das mesmas esperanças e dos cansaços

De quando eras criança…

Glória a ti amor,

Glória aos céus suplicando…

Eu mais uma vez pedindo o perdão…

O perdão de Deus,

Para mim

E para os meus…

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Projectei o meu pensamento

Onde me fiz homem,

Onde me fiz alento.

Viajei por esses espaços

Cheios de vida e de abraços.

Viajei nos cabelos do tempo…

Onde fiz canudos e novelos…

Embaracei-me nos seus braços…

E depois fiz-lhes carinhos…

Laços, abraços e miminhos…

Um avô já de respeitosa idade…

Que se fez manhã…

Que se fez noite…

Que se fez tarde…

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Amanheci… perdi-me no caminho.

Onde ontem me escondi…

Filho do meu destino.

Amanheci…

Perdi-me no lago do planalto…

Amanheci no meio da madrugada em festa.

Amanheci…

Nas palavras…

Nos verdes campos.

Onde se semeavam as searas…

Onde corriam ribeiros mansos…

Amanheci hoje e mais uma vez…

Contei pelos dedos os anos que passavam…

Um, dois…

Um, dois e três…

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São glosas amor, são glosas…

As que trago no regaço.

São glosas amor, são glosas…

Glosas que escrevo como rosas…

Das rosas do meu abraço.

Da ternura, da constância

Nasceu uma mulher amena

Perfumada de terra, terrena…

Onde viveu a sua infância.

Das rosas nasceu a esperança

De te ver mais uma vez

Para depois outra vez contar

Pelos dedos a distância.

São glosas amor são glosas…

Glosas da nova infância,

Ternas rosas sem distância…

 

Da vontade nasceu o homem

Que de mulher homem se fez

Da vontade se fez [homem]

A luz que alumia, um, dois, três…

Da vontade se fez o riso,

Da vontade [se fez] o juízo…

Da vontade o paraíso.

Para ser de novo inferno…

Num mundo térreo, terreno…

Da vontade se fez a água.

Que se tornou intempérie e alma.

Da vontade renasceu…

E o homem hoje vence, vencerá, venceu…

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